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Montevidéu do futebol: um passeio pelos lugares dos campeões

O censo de 2023 contou 3.499.451 habitantes: faltaram 549 pessoas para chegar aos três milhões e meio redondos. Com essa população, a seleção leva quatro estrelas acima do escudo. Este é um passeio por Montevidéu para encontrar alguns dos homens que as conquistaram.
Por que a Celeste tem quatro estrelas
As estrelas lembram duas medalhas de ouro olímpicas, em Paris 1924 e Amsterdã 1928, e duas Copas do Mundo, a de 1930 e a de 1950. A Associação Uruguaia de Futebol (AUF) começou a usá-las em 1992.
O argumento uruguaio é que aqueles torneios olímpicos eram organizados pela FIFA e que, na época, eram reconhecidos como campeonatos mundiais, já que a Copa do Mundo só nasceu em 1930. A FIFA, por sua vez, conta como títulos mundiais apenas as Copas, e em 2021 pediu à AUF que retirasse as duas estrelas olímpicas. Depois voltou atrás: a AUF defendeu sua posição com documentos da época e a FIFA aceitou que a seleção mantivesse as quatro.
Nasazzi e Andrade, campeões de tudo


Dois jogadores estiveram nos três primeiros títulos: os ouros de 1924 e 1928 e a Copa de 1930. Um foi José Nasazzi, o capitão, apelidado de "El Mariscal" (O Marechal). O outro foi José Leandro Andrade, conhecido como a "Maravilla Negra" (Maravilha Negra).
Para encontrar Nasazzi, é preciso ir ao Prado. Ali fica o Estádio José Nasazzi, a casa do Bella Vista, o clube em que ele jogou por mais de uma década antes de se transferir para o Nacional.
Obdulio, com a bola debaixo do braço

O capitão de 1950 tem estátua em Tres Cruces, na rotatória central do shopping e terminal rodoviário. Ela foi apresentada em 21 de setembro de 2017, um dia depois do centenário do seu nascimento, e é obra do escultor Alberto Saravia. Mostra Obdulio Varela firme, com a bola debaixo do braço. A placa o chama de "Caudillo del fútbol uruguayo".
Antes do jogo decisivo contra o Brasil, no Maracanã, Obdulio pediu aos companheiros que não olhassem para a arquibancada, porque "los de afuera son de palo", ou seja, quem está de fora não joga. Depois da partida, fez algo ainda mais curioso: em vez de comemorar com os dirigentes, passou a noite nos bares do Rio bebendo com os brasileiros que choravam a derrota. Campeão do mundo e ombro amigo do rival, tudo no mesmo dia.
O nome dele também está no Estádio Obdulio Varela, a casa do Villa Española.
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Ghiggia, no chão da Cidade Velha

Na rua de pedestres Sarandí, olhe para baixo. Ali fica o Espacio de los Soles, também chamado de Paseo de los Soles: lajotas de 60 centímetros com um sol parecido com o da bandeira uruguaia e o nome de uma figura uruguaia. Foi inaugurado em abril de 2010, e entre os primeiros homenageados, ao lado de Mario Benedetti, Idea Vilariño e China Zorrilla, estava Alcides Ghiggia, autor do gol que deu ao Uruguai a Copa de 1950.
É, provavelmente, a única homenagem a um artilheiro que se visita pisando em cima. Ghiggia, que calou um estádio inteiro, certamente não se importaria.
Como montar o roteiro

Três bairros, três campeões: a Cidade Velha para Ghiggia, Tres Cruces para Obdulio e o Prado para Nasazzi. Dá para combinar tudo em um dia de táxi, aplicativo de transporte ou ônibus e incluir o Centenário, no Parque Batlle: a história dele está no nosso guia do Estádio Centenário.
Quatro estrelas e quase três milhões e meio de torcedores. Quantos estádios uruguaios você reconheceria num mapa? Jogue GeoFútbol hoje, é grátis.