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Avellaneda, a cidade do Rei de Copas: um roteiro entre dois estádios

Tem cidade com um estádio famoso. Avellaneda tem dois, e eles ficam tão perto que quase dividem a calçada. Somados, Independiente e Racing têm oito Copas Libertadores: sete do Rojo e uma da Academia. Ninguém mediu oficialmente quantas taças existem por quilômetro quadrado, mas seria difícil achar outro canto do mapa que ganhe dessa.
Atravessar o Riachuelo

Avellaneda fica na província de Buenos Aires, do outro lado do Riachuelo. Saindo da capital, há dois caminhos clássicos.
O primeiro é a Ponte Pueyrredón, que liga a rua Vieytes, em Barracas, à avenida Mitre, a principal de Avellaneda.
O segundo é o trem da linha Roca, que sai de Constitución. A parada é a antiga estação Avellaneda, que hoje se chama oficialmente Darío Santillán y Maximiliano Kosteki e fica perto dos dois estádios.
Um passeio de poucos quarteirões

Os estádios estão tão colados que o passeio leva poucos minutos. Dependendo de quem mede, são 200 metros ou menos de dois quarteirões. Se você se perder, basta virar a cabeça.
A história de cada estádio, do Cilindro à velha Doble Visera, está em os estádios mais famosos de Buenos Aires. Aqui o que importa é a geografia: em Avellaneda, o rival mora literalmente na esquina.
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Dois apelidos com história

O Independiente é chamado de Diablos Rojos desde 1926. Naquele ano, o jornalista Hugo Marini descreveu seu ataque como "endiablado", e o apelido pegou. O vermelho, segundo a versão mais contada, veio da admiração do presidente Arístides Langone pelo Nottingham Forest, da Inglaterra. E o clube foi fundado por funcionários de uma loja de Buenos Aires chamada "A la Ciudad de Londres".
O Racing também gostava de importados: o nome saiu de uma revista francesa de esportes que um dos fundadores, Germán Vidaillac, mostrou aos colegas. O apelido de Academia chegou em 1915, no meio de uma sequência de títulos, pela qualidade do seu futebol. Ou seja, o clássico de Avellaneda opõe um clube de nome francês a outro de camisa inspirada na Inglaterra. Muito de bairro, muito internacional.
1967: o ano da Academia
Os sete títulos do Independiente, com os quatro seguidos, já foram contados em a história da Copa Libertadores em lugares. O grande ano do Racing foi 1967. Empatou duas vezes por 0 a 0 com o Nacional do Uruguai na final e venceu o jogo de desempate por 2 a 1, em Santiago do Chile.
No mesmo ano disputou a Copa Intercontinental contra o Celtic, da Escócia: perdeu em Glasgow, venceu em Avellaneda e a decisão ficou para o Centenario, em Montevidéu. Em 4 de novembro de 1967, um chutaço de Juan Carlos Cárdenas garantiu o 1 a 0, e o Racing virou o primeiro clube argentino campeão do mundo. O jogo foi tão duro, com vários expulsos, que é lembrado como a Batalha de Montevidéu. Para ser campeã da América e do mundo, a Academia teve que sair de casa duas vezes.
Dicas para a visita
Vale ir num dia sem jogo e durante o dia, como em qualquer região de estádios de uma cidade grande. Se quiser entrar em algum dos estádios, consulte antes os canais oficiais de cada clube.
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